A nova operação da Polícia Federal no Ceará, intitulada "Consorte", realizada na manhã desta terça-feira (5), não surge de forma isolada. Pelo contrário: ela dá continuidade direta a uma investigação que, em março deste ano, abalou o cenário político de Morada Nova com a prisão de cinco vereadores. Agora, as autoridades aprofundam as apurações e ampliam o alcance de um esquema que pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões.
A ligação entre as duas fases é clara. A operação atual nasce a partir de elementos coletados durante a “Traditori”, que revelou indícios de financiamento ilícito de campanhas eleitorais nas eleições de 2024. O que antes estava concentrado em agentes políticos específicos, agora se expande para uma estrutura financeira mais complexa e abrangente.
Continuidade das investigações expõe estrutura maior
De acordo com a Polícia Federal, a operação “Consorte” representa um desdobramento estratégico da fase anterior. Se, em março, o foco estava nas prisões e na interrupção imediata de possíveis práticas ilegais dentro do poder legislativo municipal, agora o objetivo é seguir o caminho do dinheiro.
Ao todo, estão sendo cumpridos 27 mandados de busca e apreensão e seis de prisão, em ações simultâneas no Ceará e em Belo Horizonte, em Minas Gerais. A mobilização envolve mais de 100 agentes de segurança, integrando forças estaduais e federais por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE).
As investigações apontam que o esquema não se limitava ao período eleitoral, mas envolvia um fluxo contínuo de recursos com características típicas de lavagem de dinheiro. A movimentação superior a meio bilhão de reais levanta suspeitas sobre o uso de empresas de fachada, transferências fragmentadas e outros mecanismos para ocultar a origem ilícita dos valores.
Vereadores presos e o elo político do esquema
Na fase anterior, a operação “Traditori” levou à prisão de cinco vereadores de Morada Nova, incluindo o então presidente da Câmara Municipal e membros da mesa diretora. As detenções trouxeram à tona a suspeita de que campanhas eleitorais foram financiadas por uma facção criminosa.
Segundo a Polícia Federal, o apoio financeiro não seria gratuito. Em troca, os parlamentares investigados teriam atuado para favorecer interesses do grupo dentro da administração pública, criando uma ponte direta entre o crime organizado e decisões políticas locais.
Embora os vereadores tenham obtido posteriormente o direito à prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e afastamento dos cargos, as investigações não cessaram. Pelo contrário: os dados apreendidos naquela fase foram fundamentais para a nova etapa da operação.
A “Consorte” surge, portanto, como uma peça-chave para consolidar o quebra-cabeça iniciado meses atrás. Ao aprofundar a análise das movimentações financeiras, a Polícia Federal busca não apenas confirmar as suspeitas iniciais, mas também identificar outros envolvidos e possíveis ramificações do esquema.
No dia 12 de março, durante a operação “Traditori”, cinco vereadores de Morada Nova foram presos por suspeita de envolvimento no esquema investigado. Confira quem são:
- Claudio Roberto Chaves da Silva, conhecido como Cláudio Maroca (PT);
- José Regis Nascimento Rumão (PP);
- José Gomes da Silva Júnior, o Júnior do Dedé (PSB);
- Hilmar Sérgio Pinto da Cunha (PT), então presidente da Câmara Municipal;
- Lucia Gleidevania Rabelo, conhecida como Gleide Rabelo (PT), que ocupava o cargo de secretária da mesa diretora.
Leia também:
Polícia investiga esquema criminoso de R$ 500 milhões no Ceará e em Minas GeraisOperação contra facção no Ceará apreende armas e pede bloqueio de R$ 5,6 milhões




