A música cearense perdeu nesta terça-feira (28) um de seus nomes históricos. Morreu, aos 76 anos, o compositor, violonista e arranjador Wilson Cirino, integrante da geração conhecida como Pessoal do Ceará. O artista estava internado em Fortaleza e enfrentava problemas de saúde, entre eles câncer de pulmão e complicações respiratórias.
Carreira e parcerias históricas
Wilson Cirino foi professor, cantor, violonista, arranjador e compositor de música popular brasileira. O artista participou de vários festivais, entre eles o I Festival de Música Popular Aqui, conhecido como “Aqui no Canto”, com a música “Rosa” cuja melodia, arranjo e letra são de sua autoria. Participou também do I Festival Nordestino da Música Popular promovido pelos Diários Associados, defendendo a música “Quarto de Pensão”, tendo como parceiro o músico e compositor baiano, Piti, um dos precursores da Tropicália.
Natural de Aracati, no litoral leste do Ceará, Wilson Cirino nasceu em 1º de abril de 1950 e construiu trajetória marcada por composições, parcerias e atuação decisiva no fortalecimento da música produzida no Estado. Ele integrou o grupo de artistas cearenses que, a partir dos anos 1970, buscou espaço no eixo Rio-São Paulo, ampliando a projeção nacional da cena local.
Wilson Cirino esteve entre os pioneiros do movimento. Em 1971, lançou ao lado de Raimundo Fagner um compacto simples pela gravadora RGE, considerado a estreia fonográfica dos dois artistas. O disco trouxe as músicas “A Nova Conquista” e “Copa Luz”.
Ao longo da carreira, também manteve parcerias com Belchior, Rodger Rogério, Ednardo, Clodo Ferreira, Sérgio Costa e outros nomes da música brasileira.
Suas composições foram gravadas por intérpretes como Simone. Entre elas está “Baião do Coração”, registrada pela artista em 1974. Cirino também atuou como arranjador, com destaque para trabalhos ligados à produção musical cearense.
Discos e legado de Wilson Cirino, que morreu nesta terça-feira (28)
Na carreira solo, lançou álbuns como Estrela Ferrada e Moenda, reunindo músicas autorais e parcerias que misturavam referências regionais e experimentação sonora.
Mesmo nos últimos anos, o artista seguia acompanhando projetos sobre sua trajetória. Em 2022, teve a vida retratada no livro Entre Velas e Tubarões, escrito por sua esposa, Solange Benevides.
Em publicação nas redes sociais, Solange lamentou a morte do músico e afirmou: “Hoje eu perdi meu companheiro de vida. Meu melhor amor”.
A família informou que o velório está previsto para ocorrer no Memorial Sol Poente, em Caucaia, onde também será realizado o sepultamento.
Um show coletivo marcado anteriormente para o dia 9 de maio, no Teatro Carlos Câmara, em Fortaleza, deverá ser mantido e transformado em tributo à memória e à obra de Wilson Cirino.
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