O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na última sexta-feira (8) que a Enel ficou de fora da renovação antecipada das concessões de distribuição de energia elétrica por não cumprir os compromissos assumidos com o governo federal. A declaração foi dada durante a assinatura de 14 novos contratos de concessão do setor elétrico, que preveem cerca de R$ 130 bilhões em investimentos privados até 2030.
Segundo Lula, a decisão de não renovar contratos com a empresa italiana ocorreu após sucessivos problemas no fornecimento de energia, especialmente em São Paulo, além do descumprimento de promessas feitas pela companhia ao governo brasileiro.
“A verdade nua e crua é que essa empresa não cumpriu nada do que prometeu para mim e para a primeira-ministra da Itália”, afirmou o presidente durante o evento em Brasília, em referência à premiê italiana Giorgia Meloni.
A Enel é responsável pela distribuição de energia em estados estratégicos como São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Nos últimos anos, a empresa se tornou alvo de críticas após apagões recorrentes, principalmente na capital paulista e na região metropolitana, afetando milhões de consumidores.
Governo aposta em novos investimentos para modernizar setor elétrico
A renovação antecipada das concessões assinadas pelo governo federal envolve distribuidoras que atuam em 13 estados brasileiros e atendem cerca de 41,8 milhões de famílias. O principal objetivo é modernizar o sistema elétrico nacional e preparar a infraestrutura para os desafios da transição energética e das mudanças climáticas.
Os R$ 130 bilhões previstos não sairão dos cofres públicos. O valor corresponde aos investimentos obrigatórios que as empresas privadas deverão realizar para manter os contratos de concessão válidos até o fim da década.
Durante o discurso, Lula reforçou a importância da parceria entre o Estado e a iniciativa privada, mas destacou que o governo exigirá responsabilidade das empresas.
“O Estado pode trabalhar em parceria com empresários e permitir que executem o trabalho da forma mais perfeita possível. Mas cada um precisa cumprir sua tarefa para que quem ganhe seja a sociedade brasileira”, declarou.
A exclusão da Enel ocorre em meio a processos administrativos conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica. A agência avalia a possibilidade de caducidade da concessão da Enel São Paulo após falhas consideradas graves no atendimento durante apagões registrados entre 2023 e 2025.
Enel afirma que realizou investimentos recordes no Brasil
Em nota, a Enel afirmou que vem cumprindo os compromissos assumidos no país e destacou investimentos de R$ 11,7 bilhões em distribuição de energia nos últimos dois anos em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.
Segundo a companhia, apenas em São Paulo foram quase R$ 5 bilhões investidos no período, sendo R$ 2,8 bilhões somente em 2025. A empresa também informou ter contratado mais de 3,8 mil profissionais desde 2024 para reforçar as operações de campo.
A distribuidora afirma ainda que os investimentos contribuíram para reduzir em cerca de 50% o tempo médio de atendimento aos consumidores e diminuir em 86% as interrupções prolongadas no fornecimento de energia em São Paulo.
Apesar das críticas do governo federal, a Enel ressaltou que a Aneel recomendou a renovação das concessões da empresa no Ceará e no Rio de Janeiro, destacando que não há impedimentos jurídicos ou regulatórios para a continuidade dos serviços nesses estados.
A companhia informou ainda que continuará apresentando dados técnicos e operacionais para demonstrar o cumprimento das metas estabelecidas pela agência reguladora e reafirmou o compromisso de seus mais de 50 mil colaboradores com a população brasileira.
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