A perda de talentos qualificados tem se consolidado como um desafio estratégico para RHs e lideranças. Mais do que dificuldade de contratação, empresas enfrentam altos índices de rotatividade provocados por falhas internas em processos, gestão e cultura organizacional, que impactam diretamente no engajamento, bem-estar e permanência dos profissionais.
Segundo o relatório Global Human Capital Trends 2025, da Deloitte, empresas que investem em bem-estar, propósito e práticas centradas nas pessoas têm mais facilidade para atrair e reter talentos, enquanto aquelas que negligenciam esses fatores enfrentam maiores desafios de engajamento e rotatividade.
Esse movimento revela a urgência de as empresas revisarem seus processos e a forma como suas lideranças atuam. “Hoje, as pessoas não querem apenas um emprego, elas querem se sentir respeitadas, seguras e pertencentes. Quando isso não acontece, a saída acaba sendo uma consequência natural”, afirma Flávia Mentone, CEO da Reponto, empresa especializada no recrutamento e seleção de Pessoas com Deficiência.
Entre os principais fatores que contribuem para a perda de bons profissionais, destacam-se, de acordo com a especialista:
- Falta de equidade, inclusão e pertencimento, especialmente para grupos minorizados;
- Ausência de oportunidades claras de crescimento e desenvolvimento profissional;
- Flexibilidade insuficiente com modelos rígidos e baixa autonomia;
- Cultura organizacional diferente da apresentada durante o processo seletivo, gerando frustração e quebra de confiança;
- Reconhecimento baixo e falta de valorização diária, que gera desengajamento silencioso;
- Gestão despreparada para lidar com diversidade, saúde emocional e escuta ativa;
- Discurso sem coerência quando a empresa comunidade saúde mental e diversidade, mas não muda comportamentos, processos e a forma de liderar;
- Ambientes que negligenciam o bem-estar e a segurança psicológica, normalizando sobrecarga, assédio ou jornadas exaustivas.
Esse cenário se conecta às mudanças já estabelecidas na Norma Regulamentadora nº (NR-1), que desde 2024 ampliou a exigência de gestão de riscos psicossociais nas empresas e, neste ano, passa a cobrar de forma efetiva a responsabilização das organizações na manutenção de ambientes de trabalho seguros e no cuidado com a saúde mental das pessoas colaboradoras.
Ao colocar as pessoas no centro e alinhar cultura, processos e liderança, as empresas não apenas reduzem a rotatividade, mas demonstram também valorizar o ativo mais importante do negócio: o capital humano, aponta Flávia Mentone.
“Como caminho para reverter esse quadro, a diversidade precisa estar integrada à estratégia do negócio. Trazer mais diversidade para dentro da empresa não é apenas uma pauta social, é uma decisão estratégica. Ambientes diversos, inclusivos e humanos retêm talentos, fortalecem a cultura organizacional e constroem resultados mais sustentáveis”, afirma a especialista.






