O (des)equilíbrio delicado da saúde mental materna

Seja trabalhando fora ou dedicando-se exclusivamente à família, o sentimento de culpa é característico de qualquer mãe moderna

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O (des)equilíbrio delicado da saúde mental materna
Foto: divulgação

Em um cenário onde as demandas e pressões podem tornar-se esmagadoras, equilibrar a vida profissional com a criação dos filhos é um malabarismo emocional que impacta profundamente a saúde mental. Por outro lado, as mães que optam por se dedicar integralmente à família enfrentam desafios únicos que afetam sua autoestima e bem-estar.

Neste contexto, a saúde mental das mães tem se tornado um tema amplamente debatido, principalmente entre elas mesmas. De acordo com o levantamento americano Motherly’s 2023 State of Motherhood Survey Report, quase metade (46%) das mães entrevistadas procuraram por terapia. Quando questionadas sobre o que as mantém acordadas à noite, as preocupações com a saúde mental ultrapassaram as finanças como a principal fonte de preocupação das mães. Já no Brasil, segundo as Estatísticas de Gênero - Indicadores sociais das mulheres no Brasil, promovido pelo IBGE, em 2021, a taxa de participação das mulheres brasileiras na força de trabalho era de 51,56%, e em 2022 esse número aumentou para 53,3%, refletindo um crescimento na escolarização e na presença feminina no mercado de trabalho. Essa tendência pode influenciar a decisão de adiar a maternidade, visto que o estudo também identificou um aumento de 16,8% no número de mães com mais de 40 anos, possivelmente devido ao equilíbrio delicado entre as responsabilidades profissionais e familiares, o que pode impactar sua saúde mental.

Cargas impostas por duplas ou triplas jornadas acarretam ansiedade e stress, aumentando o risco do surgimento de transtornos relativos à saúde mental, além da piora de quadros já existentes. A culpa, a pressão pela perfeição, a gestão do tempo, a sobrecarga são alguns dos principais desafios enfrentados por essas mães.

"A qualidade sobre a quantidade é fundamental. As mães devem focar na qualidade do tempo passado com a família. Além disso, a comunicação aberta, o autocuidado e a construção de uma rede de apoio são estratégias fundamentais para lidar com esses desafios", é o que destaca a Dra. Simone Nascimento, médica com especialização em saúde mental corporativa.

Por outro lado, a maternidade em tempo integral também pode ter um impacto profundo na saúde mental das mães, visto que muitas sentem-se culpadas por não estarem inseridas no mercado de trabalho e contribuindo para uma maior qualidade de vida dos filhos. Esse sentimento acarreta em alguns desafios como perda de identidade profissional, pressão por uma maternidade perfeita e sobrecarga mental e emocional.

Muitas mães podem experimentar sentimentos de solidão, ansiedade e piora de quadros de depressão enquanto lutam para encontrar tempo para si mesmas. A falta de reconhecimento social pelo trabalho doméstico e de cuidados contribui para a baixa autoestima de quem se dedica exclusivamente ao cuidado dos filhos”, explica Dra. Simone, que sugere que elas passem a valorizar sua escolha e reconheçam a sua contribuição para sua família e sociedade.

Ela também incentiva essas mães a redefinirem o conceito de sucesso, entendendo que ele não precisa ser medido apenas por realizações profissionais, mas também por levar adiante uma escolha pessoal de se dedicar integralmente à família. Cultivar interesses pessoais, manter conexões sociais e planejar o futuro também são estratégias recomendadas. A rede de apoio também tem um papel crucial na saúde mental das mães, sejam aquelas que estão inseridas no mercado de trabalho ou tornaram-se donas de casa.

No ambiente corporativo, a valorização e o suporte às mães são essenciais para promover sua saúde mental. Empresas que adotam políticas de flexibilidade, como horários de trabalho mais adaptáveis e possibilidade de trabalho remoto, demonstram um compromisso real com o bem-estar de seus funcionários. Além disso, oferecer suporte emocional, seja por meio de programas de aconselhamento ou grupos de apoio, pode ser fundamental para ajudar as mães a lidar com os desafios da maternidade e do trabalho.

Cuidar da saúde mental das mães não é apenas uma questão individual, mas também impacta diretamente o bem-estar de suas famílias. Reconhecer e apoiar as mães em suas jornadas é essencial para que possam equilibrar suas responsabilidades de forma saudável. Com estratégias adequadas e um ambiente de apoio, é possível enfrentar os desafios da maternidade com mais tranquilidade e qualidade de vida, beneficiando não apenas as mães, mas toda a sociedade.

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