O avanço das discussões no Congresso sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal começa a produzir efeitos práticos nas estratégias de gestão de pessoas, mesmo antes de qualquer alteração legal. Com a aprovação de uma proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, empresas passaram a avaliar ajustes internos como forma de mitigar riscos futuros e fortalecer sua posição na disputa por talentos. A medida ainda depende de votação em plenário e tramitação na Câmara, mas o debate já impacta decisões corporativas.
Segundo Angélica Madalosso, especialista em marca empregadora e CEO da consultoria ILoveMyJob, esse movimento tem impacto direto na forma como as empresas são percebidas por profissionais que buscam maior equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.
“Quando uma empresa antecipa tendências regulatórias e entrega práticas mais modernas de jornada, ela diz ao mercado que você não precisa escolher entre ter uma carreira e ter uma vida. Isso posiciona a marca empregadora em outro patamar”, afirma.
A discussão ocorre em paralelo ao crescimento da chamada gig economy, modelo que ampliou a oferta de trabalho sob demanda e colocou em evidência temas como autonomia e flexibilidade, mas também levantou debates sobre estabilidade e proteção social.
Para Madalosso, independentemente do modelo, a comparação entre diferentes formas de organização do trabalho passou a influenciar as expectativas dos profissionais. “Isso elevou o nível de exigência do talento, e as empresas que entenderam essa virada cultural antes da lei ganharam vantagem competitiva”, diz.
Algumas empresas têm revisado escalas e turnos como parte de estratégias internas de gestão de pessoas. Redes internacionais do varejo, como a H&M, e operações do setor de hospitalidade no Brasil, como o Palácio Tangará, testaram ajustes em jornadas e modelos de descanso, segundo informações divulgadas pelas próprias companhias.
Na avaliação da especialista, iniciativas desse tipo costumam ser observadas pelo mercado como sinais de atualização cultural, ainda que não estejam associadas a mudanças legais.
Madalosso destaca que a legislação trabalhista estabelece parâmetros mínimos, mas que a experiência cotidiana do colaborador vai além do cumprimento da lei. “Esses movimentos mostram que as empresas que se antecipam não apenas atraem melhor, mas se diferenciam como organizações mais maduras, humanas e estratégicas, mesmo sem obrigação legal”.
Angélica ainda lembra que, com o avanço do debate sobre a jornada, o tema ganhou espaço nas estratégias de gestão de pessoas e employer branding. As mudanças passaram a ser analisadas pelo impacto na atração e fidelização de profissionais.





