Demissões em janeiro e o efeito dominó na cultura da empresa

Começo de ano costuma concentrar decisões difíceis dentro das empresas, e as demissões em janeiro se tornaram um fenômeno cada vez mais recorrente no mercado.

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Demissões em janeiro e o efeito dominó na cultura da empresa
Foto: GCMais

Janeiro sempre foi visto como mês de recomeço, mas nem sempre as mudanças que chegam são as que esperamos. Em muitas empresas, esse período também virou sinônimo de cortes. Planejamentos são revisados, orçamentos ajustados e, muitas vezes, decisões duras precisam ser tomadas logo nas primeiras semanas do ano. O que, por si só, não é exatamente um problema — mas toda demissão causa um impacto silencioso em quem fica. A cultura organizacional sente esse movimento antes mesmo de qualquer comunicado oficial.

Recentemente vivi uma situação muito curiosa. No mesmo dia, participei de três reuniões diferentes em que alguém precisou avisar que a pessoa esperada não estaria presente porque já não fazia mais parte da empresa. Três contextos distintos, três equipes diferentes, e a mesma sensação no ar. Desconforto, silêncio e uma pergunta não dita circulando na cabeça de todo mundo: quem será o próximo?

Esse tipo de episódio parece pequeno, mas ele cria um efeito dominó poderoso. Quando as demissões acontecem aparentemente sem contexto e sem uma comunicação bem estruturada, o impacto vai muito além da pessoa desligada. A confiança começa a balançar. As pessoas passam a trabalhar com cautela excessiva, menos abertas a errar, menos dispostas a propor algo novo.

O que sustenta uma empresa em momentos difíceis não é a ausência de problemas, mas a forma como eles são tratados. Quando ninguém entende as movimentações da organização, logo surgem as suposições, conversas de corredor e insegurança. E isso corrói qualquer discurso bonito sobre valores e pertencimento.

Demissões podem ser necessárias, ninguém aqui está romantizando o tema. O ponto é como elas são conduzidas e, principalmente, como a empresa cuida de quem permanece. Transparência não significa expor tudo, mas explicar o suficiente para que as pessoas entendam o cenário.

Situações como essas em um mês que já é cheio de expectativas serve para escancarar a maturidade cultural das organizações, porque ele testa o que foi construído ao longo do ano anterior. Empresas com cultura forte conseguem atravessar esse período sem perder a coesão. Elas conversam, alinham expectativas e mantêm os times informados.

Demissões sempre deixam marcas. A diferença está em saber se essas marcas vão virar cicatrizes que fortalecem ou feridas abertas que infeccionam. Cultura organizacional não se prova em momentos fáceis. Ela aparece exatamente quando decisões difíceis precisam ser tomadas e explicadas.

Andréa Migliori é CEO da Workhub, uma HRTech de soluções para portais corporativos, pioneira no segmento a incorporar inteligência artificial aos seus serviços.

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