Como construir uma carreira que transforma o mundo — e ainda ser bem remunerado por isso

As novas gerações buscam unir propósito com salário, sem abrir mão do bem-estar e saúde mental dentro do mercado de trabalho

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Como construir uma carreira que transforma o mundo — e ainda ser bem remunerado por isso
Foto: GCMais

Fazer a diferença no mundo e, ao mesmo tempo, ter uma carreira de sucesso e bem remunerada já não é apenas um ideal distante — é uma expectativa concreta de boa parte da Geração Z. Composta por jovens nascidos entre 1997 e 2012, essa geração deve representar 27% da força de trabalho global até o fim de 2025, de acordo com estimativas da Zurich Insurance e do Fórum Econômico Mundial. Seus membros mais velhos já ocupam cargos de influência e vêm redesenhando a lógica corporativa com uma mentalidade orientada por valores.

Segundo uma pesquisa global da Deloitte, 86% desses jovens consideram essencial ter um senso de propósito no trabalho, e 44% rejeitariam propostas de empresas que não se alinham aos seus princípios éticos. Essa busca por alinhamento entre valores pessoais e a missão das organizações é um dos grandes motores da transformação cultural nas empresas — e também tem impulsionado taxas mais altas de rotatividade: 49% da Gen Z afirmam que deixariam seus empregos em até dois anos se não encontrarem propósito, flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Esse movimento também está moldando o futuro do trabalho, como mostra a experiência do Movimento Tech 2030, coalizão de organizações que investem em tecnologia para promover impacto social. Entre as ações promovidas estão cursos profissionalizantes, que têm ajudado jovens a se colocarem no mercado com propósito e boa remuneração. Uma pesquisa da Serasa Experian revelou que 70% dos participantes desses cursos conseguiram empregos com carteira assinada, e 81% aumentaram sua renda mensal.

Para Jessica Monteiro, Head de Projetos e Growth do Movtech, esta era de transformação digital vem com oportunidades importantes de inclusão que não podem ser ignoradas. O segredo, diz ela, está em alinhar valores pessoais às escolhas profissionais. “Por muito tempo, acreditamos que o sucesso era um currículo impecável. Hoje, o mercado valoriza quem tem escuta ativa, quem resolve problemas reais, quem colabora. Isso é o novo sucesso”, afirma.

Ela destaca que as chamadas soft skills – como comunicação, empatia, criatividade e resiliência – são cada vez mais essenciais. Mas, segundo a especialista, isso não significa abrir mão das competências técnicas. “A gente precisa das duas coisas. É como aprender dois idiomas: um é o da técnica e o outro é o das relações humanas. Quem domina os dois, tem vantagem”, completa.

Jéssica defende uma visão mais ampla e dinâmica sobre construção de carreira: “Não existe um manual. O que existe é coragem. Coragem de experimentar, de errar, de mudar de rota e seguir aprendendo. Uma carreira com propósito é aquela que está viva, em constante movimento”.

Além disso, ela chama atenção para a importância de preparar jovens em situação de vulnerabilidade para os desafios do mercado. “Sem acesso à informação e à formação, muitos talentos ficam invisíveis. O nosso papel é criar pontes, abrir caminhos e mostrar que é possível crescer com dignidade e propósito.”

Na mesma linha, Janaina Oliveira, gerente de parcerias institucionais do Instituto Coca-Cola Brasil, reforça que as empresas estão cada vez mais atentas à trajetória dos candidatos, e não apenas ao histórico acadêmico. “É fundamental que os jovens saibam contar sua própria história. O que você fez, por que fez, o que aprendeu, e como isso se conecta com a missão da empresa”, explica.

Janaina também aponta três áreas em destaque para os próximos anos: tecnologia, educação e análise de dados. “Esses setores estão moldando o futuro do trabalho. Investir em formação nessas frentes é uma decisão estratégica para quem quer construir uma carreira com impacto e boa remuneração”, afirma.

A Geração Z, porém, quer mais do que cargos e títulos. Apenas 38% deles priorizam promoções, segundo a Deloitte — bem menos do que os Millennials, com 52%. O foco está no desenvolvimento de novas habilidades, flexibilidade, bem-estar e impacto. Apesar disso, não faltam ambição e urgência: 70% esperam ser promovidos em até 18 meses, de acordo com a plataforma Ripplematch.

Além disso, a Gen Z tem mostrado uma forte inclinação por modelos híbridos ou remotos. Uma pesquisa do LinkedIn revelou que 72% já deixaram ou consideraram deixar empregos por falta de flexibilidade. O modelo híbrido é o preferido de 63% desses jovens, pois combina liberdade com conexão interpessoal — importante especialmente no início da carreira.

Mas há também desafios. A pressão por resultados, o custo de vida e as incertezas econômicas têm afetado a saúde mental da Geração Z. Segundo a Deloitte, 40% se sentem estressados o tempo todo ou na maior parte do tempo, e apenas 51% avaliam sua saúde mental como boa ou excelente — percentuais inferiores aos das gerações anteriores. Ainda assim, a geração continua sendo a principal força impulsionadora para um futuro do trabalho mais humano, sustentável e com significado.

Essas reflexões fizeram parte de uma conversa no episódio do Podcast NaFacul, iniciativa da Movtech em parceria com a Educpay e o Instituto Coca-Cola Brasil. O episódio, intitulado “Como Criar uma Carreira Que Transforma o Mundo (e Ainda Ganhar Muito Bem!)”, está disponível gratuitamente no YouTube e nas principais plataformas de streaming.

 

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