Burnout tem nova classificação da OMS no Brasil: saiba como as empresas podem apoiar os colaboradores

41% dos profissionais relatam sentir-se ansiosos na maior parte dos dias, aponta Check-up de Bem-Estar 2024

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Burnout tem nova classificação da OMS no Brasil: saiba como as empresas podem apoiar os colaboradores
Foto: GCMais

O Brasil adotou oficialmente, neste início de ano, a Classificação Internacional de Doenças (CID-11), que inclui a Síndrome de Burnout como uma doença ocupacional reconhecida sob o código QD85 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O reconhecimento do Burnout como uma condição diretamente relacionada ao trabalho reforça a urgência de iniciativas voltadas ao bem-estar mental no ambiente corporativo.

 

Para a Vidalink, maior empresa de planos de bem-estar corporativo do Brasil, essa mudança traz maior clareza sobre os sintomas do Burnout, frequentemente confundidos com outras condições mentais, além de reforçar a necessidade de ações concretas para prevenir o esgotamento e promover a saúde mental dos colaboradores.

 

“Reconhecer o Burnout como uma doença ocupacional dá visibilidade ao problema e abre caminhos para soluções práticas e medidas preventivas, responsabilizando empregadores pela criação de ambientes de trabalho mais saudáveis”, afirma Luis González, CEO e cofundador da Vidalink.

 

O que é a Síndrome de Burnout?

 

O Burnout é uma condição caracterizada por esgotamento físico e mental, geralmente causada por exigências excessivas no trabalho e ambientes de alta pressão. Os principais sintomas incluem:

 

  • Esgotamento físico e mental: sensação de cansaço constante, mesmo após descanso;
  • Alterações de humor: irritabilidade, apatia e sentimentos de fracasso;
  • Insônia: dificuldade em iniciar ou manter uma rotina de sono;
  • Dores musculares e de cabeça: tensão física decorrente do estado mental;
  • Alterações nos batimentos cardíacos: sinais que podem indicar estresse extremo.

 

Esses sintomas, que variam de caso a caso, podem levar a quadros de ansiedade e depressão, afetando a produtividade, a qualidade de vida e as relações pessoais dos trabalhadores.

 

O desafio do cuidado com a saúde mental no Brasil

 

Dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) indicam que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros enfrentam a síndrome de Burnout, colocando o Brasil como o segundo país com mais diagnósticos no mundo.

 

A pesquisa Check-up de Bem-Estar 2024, conduzida pela Vidalink, revela que:

 

  • 41% dos profissionais relatam sentir-se ansiosos na maior parte dos dias;
  • 17% combinam ansiedade com sentimentos de angústia;
  • Apenas 7% afirmam sentir-se felizes e realizados no trabalho;
  • 31% não adotam nenhuma atitude para cuidar da saúde mental, um aumento em relação aos 29% registrados no ano anterior.

 

O levantamento analisou 10.300 colaboradores de 220 empresas, sendo o maior estudo sobre bem-estar corporativo do Brasil.

 

“Apesar do aumento na visibilidade do tema, ainda é necessário desconstruir estigmas em torno de transtornos como o Burnout. Criar um ambiente onde os colaboradores possam discutir suas dificuldades sem medo de retaliação é fundamental para prevenir o adoecimento”, afirma González.

 

O impacto das dificuldades financeiras

 

A saúde financeira também desempenha um papel significativo no bem-estar emocional dos trabalhadores brasileiros. Segundo a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 78,5% das famílias relatam ter dívidas a vencer, o que intensifica a pressão sobre os profissionais.

 

“O trabalhador que enfrenta dificuldades financeiras muitas vezes se sobrecarrega para sustentar a família, sem ter a opção de priorizar sua saúde mental. É crucial que as empresas adotem uma visão humanizada, oferecendo benefícios que permitam acesso a recursos para o cuidado com o bem-estar de maneira completa”, destaca González.

 

O que muda para trabalhadores e empresas?

 

A nova classificação da OMS amplia a responsabilidade das empresas na prevenção do Burnout. Entre as principais ações recomendadas estão:

 

  • Políticas de bem-estar: incentivar pausas, autocuidado e equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
  • Treinamento de lideranças: capacitar gestores para identificar sinais de Burnout e oferecer suporte adequado;
  • Ambientes saudáveis: reduzir demandas excessivas e promover uma cultura organizacional de acolhimento.

 

Além disso, a regulamentação facilita o acesso a diagnósticos mais precisos e tratamentos eficazes, enquanto reforça a necessidade de medidas legais em casos de negligência.

 

Bem-estar para todos

 

Para o CEO da Vidalink, o sucesso na prevenção do Burnout exige considerar as diferentes realidades dos profissionais em todos os níveis hierárquicos.

 

“É um equívoco associar o Burnout apenas a executivos e ao ambiente de escritório. Trabalhadores operacionais enfrentam pressões significativas de produtividade e agilidade, precisando de suporte adequado. Os benefícios flexíveis podem atender e dar acesso a essas necessidades específicas, garantindo maior eficiência nos resultados”, explica González.

 

O cuidado com a saúde mental deve ser holístico, abrangendo desde terapia e medicação até alimentação saudável, prática de atividades físicas e iniciativas de autodesenvolvimento.

“Criar um ambiente com segurança psicológica, onde os sinais de Burnout possam ser identificados e tratados de maneira integrada, é essencial para promover bem-estar e produtividade”, conclui.

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