DISCURSO

Rei Charles III discursa no Parlamento do Reino Unido

A cerimônia é repleta de tradições, incluindo o transporte das Insígnias da Coroa - compostas pela Coroa Imperial do Estado, pelo Barrete de Manutenção e pela Espada do Estado - em uma carruagem separada

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Rei Charles III discursa no Parlamento do Reino Unido
Rei Charles III faz um discurso no Westminster Hall no Parlamento em 12 de setembro de 2022 em Londres, Inglaterra. Foto: Getty Images

O rei Charles III discursou nesta quarta-feira, 13, durante a abertura oficial do Parlamento do Reino Unido, em um momento de crescente pressão para que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, renuncie ao cargo.

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O texto lido por Charles foi escrito pelo governo e define a agenda legislativa do próximo ano. Logo no início do discurso, ele alertou sobre "um mundo cada vez mais perigoso e volátil que ameaça o Reino Unido" e destacou o conflito no Oriente Médio como "apenas o exemplo mais recente" de que "todos os elementos da segurança energética, de defesa e econômica do país serão testados".

"Meu governo responderá a esse mundo com força e buscará criar um país que seja justo para todos. Meus ministros tomarão decisões que protejam, no longo prazo, a segurança energética, de defesa e econômica do Reino Unido", afirmou.

"Eles defenderão os valores britânicos de decência, tolerância e respeito às diferenças sob nossa bandeira comum", acrescentou.

O rei também abordou planos para áreas como segurança nacional, saúde e educação. Ele afirmou que o governo deve apresentar a Lei de Hillsborough para estabelecer um dever de transparência para servidores públicos e outra legislação para permitir que títulos de nobreza sejam removidos.

Starmer já havia afirmado, no início do ano, que apresentaria um projeto de lei para permitir a cassação de título de nobreza de integrantes da Câmara dos Lordes envolvidos em escândalos. A medida foi uma resposta à repercussão dos laços do ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, Peter Mandelson, com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

Charles afirmou ainda que continuará com o "apoio inabalável" à Ucrânia na guerra contra a Rússia, buscará "melhorar as relações com os parceiros europeus" e manterá seu "compromisso inabalável" com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), incluindo aumento nos gastos com defesa.

Tradições

O rei chegou ao Parlamento acompanhado da rainha Camilla. A cerimônia é repleta de tradições, incluindo o transporte das Insígnias da Coroa - compostas pela Coroa Imperial do Estado, pelo Barrete de Manutenção e pela Espada do Estado - em uma carruagem separada.

Antes da leitura do texto, um oficial de segurança conhecido como Black Rod é encarregado de ir à Câmara dos Comuns para convocar os deputados para a sessão. No entanto, como símbolo da independência em relação à monarquia, os parlamentares fecham a porta. Somente após o Black Rod bater na porta com um bastão é que eles seguem para a Câmara dos Lordes.

Durante o discurso, Charles usou a Coroa Imperial do Estado, que contém 2.868 diamantes, 17 safiras, 11 esmeraldas, cinco rubis e mais de 270 pérolas.

Protesto contra Andrew

Enquanto o rei e a rainha circulavam em uma carruagem em direção ao Parlamento, um grupo de oposição à monarquia exibiu cartazes com a pergunta "Você sabia?", em referência ao envolvimento do irmão mais novo de Charles, Andrew Mountbatten-Windsor, com Epstein.

Após a repercussão do caso no ano passado, Charles retirou os títulos do irmão, que foi obrigado a deixar a residência real em Windsor.

Pressão sobre Starmer

A pressão para que Starmer renuncie ganhou força após o desempenho desastroso do Partido Trabalhista nas eleições locais e regionais realizadas na semana passada.

O mecanismo interno do Partido Trabalhista estabelece que, para desafiar a liderança, um concorrente precisa do apoio de 20% dos parlamentares trabalhistas - o que atualmente equivale a 81 deputados.

Segundo a emissora BBC, apoiadores do secretário de Saúde, Wes Streeting, acreditam que ele poderá desafiar Starmer na quinta-feira, 14. No entanto, não há confirmação de que ele tenha garantido o apoio de 81 deputados.

Pouco antes do discurso de Charles, Starmer e Streeting se reuniram, por menos de 20 minutos, em Downing Street. Ao jornal The Times, um porta-voz de Streeting afirmou que ele "não pretende dizer nada após seu encontro com o primeiro-ministro que possa desviar a atenção do discurso do rei".

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