O ministro da Previdência Social do Brasil, Wolney Queiroz, anunciou nesta terça-feira (12) a realização de um mutirão com 10 mil perícias médicas no Ceará para reduzir a fila de espera por atendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A declaração foi dada durante entrevista ao programa Balanço Geral, da TV Cidade.
Segundo o ministro, a ação faz parte de uma estratégia nacional para acelerar os atendimentos previdenciários e diminuir o tempo de espera dos segurados cearenses. Durante a entrevista, Wolney Queiroz afirmou que o objetivo do governo é melhorar os índices de atendimento no estado e na Região Nordeste.
“Procurem a Previdência Social que nós vamos fazer 10 mil perícias no Ceará, um grande mutirão de atendimento para melhorar os números do Ceará”, declarou o ministro.
Ele explicou que parte dos segurados receberá comunicação automática sobre os atendimentos, enquanto outros deverão realizar agendamento junto à Previdência Social.
“O importante é que a gente possa fazer essa interação com o segurado, com o cidadão, para que a gente possa agilizar os números do Ceará”, afirmou.
Governo quer reduzir filas de atendimento no Nordeste
Durante a entrevista, o ministro destacou que a intenção da pasta é diminuir a demora nos atendimentos previdenciários, especialmente nos estados nordestinos, frequentemente apontados entre os que registram maiores filas de espera no país.
“Eu quero chegar aqui na próxima visita e dizer: o Ceará e o Nordeste não são mais os campeões em demora. Agora já são case de atendimento e agilização”, disse Wolney Queiroz.
O mutirão anunciado deverá envolver perícias relacionadas a benefícios previdenciários e assistenciais, considerados essenciais para milhares de segurados que aguardam análise de pedidos junto ao INSS.
Nos últimos meses, o governo federal tem adotado medidas para acelerar a análise de processos represados, incluindo ampliação de atendimentos e reforço em mutirões regionais.
INSS e descontos indevidos entram no centro da entrevista
Outro tema abordado pelo ministro foi a devolução de valores descontados irregularmente de aposentados e pensionistas do INSS. Segundo Wolney Queiroz, mais de 4,5 milhões de beneficiários procuraram o governo para informar descontos que não reconheciam.
“Foi um escândalo de proporções gigantescas”, afirmou o ministro ao comentar as fraudes envolvendo descontos associativos.
Ele ressaltou que o esquema não teria começado no atual governo, mas declarou que a gestão federal encerrou a prática.
“Não foi nem dinheiro público, nem foi uma fraude do INSS. Foi uma fraude e um roubo aos aposentados”, disse.
De acordo com o ministro, o governo federal extinguiu a modalidade de desconto associativo que permitia cobranças diretamente nos benefícios previdenciários. Além disso, foi criado um sistema de autodeclaração para que aposentados e pensionistas possam informar descontos não autorizados.
O atendimento ocorre por meio da plataforma Meu INSS e também nas agências dos Correios.
“Se você diz que foi descontado irregularmente, o governo reconhece essa autodeclaração e inicia o processo de devolução”, explicou.
Mais de R$ 3 bilhões já foram devolvidos
Conforme o ministro, cerca de R$ 3,3 bilhões já foram destinados ao ressarcimento de aposentados e pensionistas prejudicados pelos descontos indevidos. Desse total, aproximadamente R$ 3 bilhões já teriam sido pagos.
“Essas 4 milhões e meio de pessoas já receberam integralmente o dinheiro de volta”, afirmou.
Wolney Queiroz destacou ainda que o prazo para solicitar ressarcimento segue aberto até o dia 20 de junho. Segundo ele, aposentados e pensionistas que identificarem descontos antigos sem autorização ainda poderão pedir devolução dos valores.
“O presidente Lula determinou que nenhum aposentado ou pensionista ficasse no prejuízo”, declarou.
O ministro explicou que o governo optou por antecipar os pagamentos aos beneficiários enquanto busca recuperar judicialmente os recursos desviados.
Governo tenta recuperar dinheiro desviado
Durante a entrevista, Wolney Queiroz afirmou que órgãos federais atuam para localizar e recuperar os recursos obtidos ilegalmente por meio das fraudes.
Segundo ele, a Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) estão conduzindo investigações para rastrear valores que teriam sido movimentados em diferentes modalidades financeiras.
“A AGU está empenhada nisso com a Polícia Federal e a CGU para identificar para onde foram esses recursos”, disse.
O ministro citou que parte do dinheiro pode estar vinculada a imóveis, automóveis, criptomoedas e até movimentações em paraísos fiscais.
“Nós vamos buscar esse dinheiro de quem roubou para restituir os cofres públicos sem deixar passar nenhum real”, afirmou.
Previdência reforça segurança para evitar novas fraudes
Ao final da entrevista, o ministro também comentou as mudanças implementadas para reforçar a segurança no acesso a empréstimos consignados e serviços previdenciários.
Segundo ele, o governo passou a exigir biometria em diversas etapas de contratação para impedir novas fraudes envolvendo aposentados e pensionistas.
“Nós estabelecemos a biometria em todas as etapas de qualquer empréstimo consignado”, explicou.
Wolney Queiroz reconheceu que alguns beneficiários reclamam da dificuldade para acessar crédito devido às novas barreiras de segurança, mas afirmou que as medidas são necessárias.
“Nós não podemos relaxar com relação a nenhum tipo de critério de segurança”, declarou.
O ministro afirmou ainda que o sistema previdenciário está mais protegido e que a meta é equilibrar segurança e acesso aos serviços oferecidos pelo INSS.
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