Um homem viralizou nas redes sociais neste fim de semana após publicar um vídeo em que aparece bebendo detergente da marca Ypê dentro de um carro. Nas imagens, que rapidamente se espalharam em plataformas como Instagram, TikTok, X (antigo Twitter) e grupos de WhatsApp, ele ainda faz um gesto obsceno enquanto segura o frasco do produto de limpeza.
Entenda a mobilização nas redes em torno do detergente Ypê
O caso ganhou repercussão nacional em meio à polêmica envolvendo a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de suspender e determinar o recolhimento de lotes de produtos da Ypê fabricados na unidade de Amparo, no interior de São Paulo. A medida atingiu detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes identificados com numeração final 1.
A publicação do vídeo ocorre em um contexto de mobilização de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passaram a defender a empresa nas redes sociais após a ação da Anvisa. Sem apresentar provas, influenciadores e políticos ligados à direita passaram a defender que há perseguição política do Governo Federal contra a marca devido ao apoio dado por integrantes da empresa à campanha de Bolsonaro nas eleições de 2022.
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Nos últimos dias, diversos vídeos semelhantes passaram a circular na internet. Em algumas gravações, pessoas aparecem lavando louça, tomando banho com detergente e até simulando a ingestão do produto como forma de protesto contra a decisão da agência sanitária.
A movimentação chegou a envolver nomes conhecidos da política nacional. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou uma imagem nas redes sociais segurando um produto da marca. O senador Cleitinho Azevedo divulgou um vídeo lavando louça com detergente Ypê e defendendo a empresa, enquanto o empresário Luciano Hang também publicou conteúdo em apoio à marca.
Ministério da Saúde se pronuncia após vídeos com pessoas bebendo detergente Ypê
Diante da repercussão, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, criticou os vídeos das pessoas bebendo detergente Ypê e classificou as gravações como irresponsáveis. Segundo ele, a Anvisa analisa medidas jurídicas relacionadas à disseminação de conteúdos que possam incentivar práticas perigosas.
O ministro destacou ainda que crianças podem assistir às gravações e tentar repetir o comportamento visto nas redes sociais. Em declaração a jornalistas, Padilha afirmou que a Anvisa atua com base em critérios técnicos e não políticos, ressaltando que o órgão tem a função de proteger a saúde da população.
A discussão ganhou força após apoiadores de Bolsonaro alegarem que a suspensão dos produtos teria motivação ideológica. A teoria passou a circular principalmente depois que veio à tona o histórico de doações feitas por integrantes ligados à empresa à campanha do ex-presidente em 2022.
A Anvisa, no entanto, informou que a decisão foi tomada após inspeções identificarem falhas em boas práticas de fabricação e risco de contaminação microbiológica em produtos fabricados na unidade de Amparo. Segundo relatório da fiscalização, foram encontrados problemas estruturais, equipamentos com sinais de corrosão e registros de resultados microbiológicos fora do padrão em dezenas de lotes.
Entre as irregularidades apontadas está a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em testes realizados entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Ainda conforme o documento, alguns produtos não teriam sido reprovados pelo controle de qualidade da empresa mesmo após resultados considerados inadequados.
A agência informou que mantém, por enquanto, a orientação para que consumidores não utilizem produtos dos lotes afetados. O caso será analisado nesta semana pela diretoria colegiada da Anvisa, após recurso apresentado pela empresa.
Ypê se pronuncia sobre o caso
Em nota, a Ypê afirmou que colabora com as autoridades sanitárias e que realiza análises técnicas independentes para comprovar a segurança dos produtos. A empresa também informou que ampliou a capacidade do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para atender dúvidas da população.
Especialistas alertam que o uso inadequado de produtos de limpeza representa risco à saúde. Dermatologistas e infectologistas reforçam que detergentes não são formulados para contato com mucosas ou ingestão, podendo provocar intoxicações, queimaduras químicas, irritações na pele, vômitos e até complicações mais graves, dependendo da quantidade consumida.
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