Cinco mudanças que explicam por que o Corinthians de Diniz ainda não sofreu gols

Uma das principais marcas desse Corinthians está na forma como o time tenta recuperar a bola ainda no campo de ataque

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Cinco mudanças que explicam por que o Corinthians de Diniz ainda não sofreu gols
Foto: GCMais

O início de trabalho de Fernando Diniz no Corinthians tem produzido um cenário que foge ao rótulo tradicional do treinador Conhecido por priorizar o jogo ofensivo, Diniz começa sua trajetória no clube com uma marca expressiva: seis partidas consecutivas sem sofrer gols.

A sequência iguala um feito que o clube não alcançava há mais de 11 anos, desde os tempos de Tite, em 2015. E o dado ganha ainda mais relevância pelo contexto: o Corinthians conseguiu manter a solidez mesmo atuando em desvantagem em duas partidas - contra o Palmeiras, quando ficou com dois jogadores a menos, e diante do Vasco, quando teve um expulso.

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Diniz pelo Corinthians

Essa consistência defensiva não é fruto do acaso. Ela nasce de mudanças claras de comportamento e de uma transformação coletiva na forma de defender.

1º - DEFESA COMEÇA NO ATAQUE

Uma das principais marcas desse Corinthians está na forma como o time tenta recuperar a bola ainda no campo de ataque. A pressão alta passou a ser um mecanismo essencial para reduzir espaços e dificultar a construção adversária.

Mais do que uma escolha tática, virou uma obrigação coletiva - especialmente para os jogadores de frente, que iniciam o processo defensivo. Após o duelo contra o Vasco, o volante Raniele detalhou esse comportamento de forma clara.

"A principal diferença que eu vejo hoje é o tanto de gente que ajuda a defender. Com oito contra o Palmeiras a gente conseguiu defender bem. Outros jogos, contra o Platense todo mundo correndo, todo mundo se entregando. Contra o Santa Fe, quando a gente não tinha a bola, os dez homens pra trás da linha da bola. Então, acho que isso é importantíssimo. O primeiro passo para a gente defender bem é os atacantes conseguirem pressionar, porque a gente sabe como a bola já vem mastigada quando tem pressão lá na frente. Então, acho que a principal virtude nossa nesse momento é essa: todo mundo correndo, todo mundo se entregando."

2º - TODO MUNDO MARCA

Outro ponto-chave está na mudança de mentalidade. No Corinthians atual, defender deixou de ser uma função exclusiva dos zagueiros e volantes. O sistema passou a depender diretamente do envolvimento de todos os jogadores, independentemente da posição

Diniz explicou essa transformação após a vitória sobre o Vasco. "O que está mais ajudando aqui é que os jogadores, de maneira geral, entenderam que todo mundo precisa ajudar. Então não é a linha de trás. Eu acho que é a conscientização dos jogadores, a fome que eles estão tendo para fazer aquilo que eu posso entregar para eles. Eu acho que esse tem sido o grande diferencial. Todo mundo muito consciente daquilo que a gente precisa fazer para poder aumentar a sensação de ganhar o jogo. Então o sistema defensivo começa atrás, começa na frente. Hoje foi mais uma prova disso."

3º - ENGAJAMENTO COLETIVO

Nos bastidores do CT Joaquim Grava, a leitura é de que o elenco assimilou e "comprou" rapidamente o modelo proposto pela comissão técnica, segundo apurou o ge. O engajamento virou um dos pilares da evolução defensiva.

O lateral-direito Matheuzinho destacou esse aspecto ao comentar a nova postura da equipe. "Uma coisa que ele (Diniz) cobra de todo mundo e, para mim está fazendo diferença, é a questão da marcação. Se focarmos 100% na marcação, a tendência é não tomar gols e ficar perto de grandes coisas".

Mais do que discurso, o Corinthians tem demonstrado na prática o nível de comprometimento exigido. Um episódio específico ajuda a ilustrar bem esse novo padrão.

Após a vitória sobre o Independiente Santa Fe pela Libertadores, Raniele pediu a palavra no vestiário para destacar uma atitude do atacante Pedro Raul, que recuou até a própria área para defender um escanteio adversário. O volante fez questão de valorizar o gesto diante do grupo.

"No final ali teve um escanteio pros caras em contra-ataque. Olhei ali e estava o Pedro Raul dentro da área para defender. Se a gente, se o grupo inteiro conseguir manter esse espírito e essa garra, vai ser f... Um pouquinho que a gente fez, os dez passando da linha da bola, todo mundo defendendo, estamos há três jogos sem tomar gols. Vamos manter porque sabemos que, com a bola, a gente é forte para caramba."

4º - ORGANIZAÇÃO EM CENÁRIOS ADVERSOS

Se a consistência já chama atenção em condições normais, ela ganha ainda mais valor quando o time é colocado sob pressão. Contra o Palmeiras e o Vasco, o Corinthians precisou jogar com inferioridade numérica e, mesmo assim, conseguiu manter a defesa intacta.

Para Diniz, essas partidas ajudam a ilustrar o estágio atual da equipe. "O jogo do Palmeiras foi a fotografia mais emblemática desse processo que o sistema defensivo do clube hoje vive. E a gente tem que procurar melhorar porque sempre tem coisa para melhorar. E sabe que isso é um motor central para aquilo que a gente vai fazer."

Utilizando o exemplo do jogo contra o Vasco, Raniele também comentou como a doação dos jogadores como um todo faz a diferença nesses momentos em que o time está em uma situação adversa.

"O Garro se entregou pra caramba, me ajudou na ponta a aumentar a pressão em cima do Andrés Gomes e depois do Piton quando entrou, então o ajuste foi esse e todo mundo sabe, quando está na função, o que tem de fazer, o que tem de cumprir. O mínimo de ajuste foi feito, ele (Diniz) viu que não precisava substituir ninguém naquele momento, depois ele trocou, então acho que ele leu bem o jogo, ele viu bem o que precisava fazer."

5º - EVOLUÇÃO DE DINIZ E NOVA IDENTIDADE DO TIME

A fase atual também representa uma evolução na trajetória do próprio treinador. Historicamente associado a equipes ofensivas e, por vezes, vulneráveis, Diniz está vendo no Corinthians uma oportunidade de consolidar um jogo mais equilibrado.

O resultado disso é um time que mantém suas características com a bola, mas que passou a apresentar uma solidez defensiva pouco comum em trabalhos anteriores do técnico.

O Corinthians de Diniz vem construindo uma base coletiva que parece poder sustentar o desempenho a médio e longo prazo. E hoje, mais do que deixar de ser um problema, a defesa passou a ser um dos principais pilares do time alvinegro.

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